Recuperação após cirurgia de prótese de joelho ou quadril: o papel da fisioterapia e do fortalecimento
Depois de uma cirurgia de prótese de joelho ou quadril, a recuperação continua após a alta hospitalar. Voltar a caminhar com segurança, recuperar movimentos e força e retomar as atividades do dia a dia exige um processo progressivo. A fisioterapia e o fortalecimento orientado fazem parte desse percurso.
Cada recuperação tem ritmo próprio. Tipo de cirurgia, condição anterior, idade, doenças associadas, força antes do procedimento e objetivos pessoais influenciam o processo. Por isso, relatos de amigos e prazos encontrados na internet não devem ser usados como regra.
As evidências clínicas usadas neste artigo se referem principalmente a artroplastias primárias eletivas de joelho e quadril. Cirurgias de revisão, procedimentos realizados após trauma e outros contextos podem exigir cuidados e restrições diferentes.
O que acontece nas primeiras fases?
Nos primeiros dias, a equipe acompanha dor, inchaço, cicatrização e capacidade de movimentar-se com segurança. Em artroplastias primárias eletivas de joelho ou quadril, diretrizes recomendam que a reabilitação comece cedo, muitas vezes ainda no hospital, conforme a condição da pessoa e a liberação da equipe cirúrgica. O NICE recomenda que, quando possível, a reabilitação seja iniciada no próprio dia da cirurgia e, no máximo, nas primeiras 24 horas. (nice.org.uk)
Essa fase pode incluir exercícios de mobilidade e ativação muscular, mudanças de posição e treino para levantar e caminhar com andador, muletas ou outro apoio. A escolha depende do procedimento e das orientações da equipe. Não é adequado copiar os exercícios de outro paciente.
O objetivo inicial não é “forçar” a articulação, mas recuperar movimentos básicos com segurança e reduzir os efeitos da imobilidade. Recursos para controle da dor e do inchaço também podem fazer parte do cuidado, conforme orientação profissional.
Por que a fisioterapia é importante?
A fisioterapia organiza a progressão entre o estado atual e as atividades que a pessoa deseja recuperar. O fisioterapeuta avalia mobilidade, força, marcha, equilíbrio, dor, inchaço, uso de apoio e desempenho em tarefas do cotidiano.
Também orienta estratégias para entrar e sair da cama, levantar de cadeiras, usar escadas e caminhar. Essas orientações reduzem improvisos e tornam o cotidiano mais seguro, principalmente nas primeiras semanas.
Após uma artroplastia de joelho, recuperar extensão e flexão, força do quadríceps e qualidade da marcha costuma fazer parte dos objetivos da reabilitação. Na artroplastia de quadril, força dos músculos ao redor do quadril, equilíbrio, controle dos movimentos e qualidade dos passos também podem ser trabalhados. As prioridades variam conforme o procedimento, as restrições estabelecidas e a evolução individual.
Dor e inchaço podem acontecer?
Algum desconforto, inchaço e cansaço podem ocorrer, especialmente no início e após aumentos de atividade. O importante é observar intensidade, duração e se os sintomas estão melhorando ou piorando ao longo do tempo.
A dor não precisa desaparecer completamente para que a pessoa se movimente, mas também não deve ser ignorada. A resposta aos exercícios ajuda o fisioterapeuta a ajustar volume, amplitude, apoio e resistência. Medicação e cuidados com a ferida devem seguir as orientações da equipe assistente.
Dor ou inchaço que pioram de forma importante e contínua merecem reavaliação.
Quando o fortalecimento começa?
O fortalecimento pode começar cedo, mas a forma e a carga dependem da cirurgia e da condição de cada pessoa. Para substituições primárias eletivas de quadril ou joelho, o NICE descreve exercícios voltados à força entre os componentes centrais da reabilitação pós-operatória hospitalar. Depois, a progressão pode incluir exercícios contra a gravidade, faixas elásticas, pesos, máquinas e tarefas funcionais. (nice.org.uk)
A progressão não depende apenas do calendário. Ela considera cicatrização, controle de dor e inchaço, qualidade do movimento, tolerância à atividade, capacidade de sustentar peso e orientações da equipe cirúrgica.
Por isso, além de perguntar “quantas semanas se passaram?”, é importante avaliar o que a pessoa já consegue fazer com segurança e qualidade. Em adultos com osteoartrose do joelho submetidos a artroplastia total primária, a diretriz da APTA recomenda fortalecimento progressivo a partir do período pós-agudo inicial e aumento da atividade física com base em segurança, tolerância funcional, resposta fisiológica e definição colaborativa de metas. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Com o tempo, o programa pode incluir sentar e levantar, subir degraus, exercícios para quadril e joelho, equilíbrio, bicicleta e caminhada. A resistência pode aumentar quando os exercícios anteriores deixam de oferecer estímulo suficiente e a evolução permite essa progressão.
Da mobilidade à autonomia
Recuperar a amplitude de uma articulação é importante, mas não é o único resultado. É possível atingir uma boa medida de movimento e ainda ter dificuldade para subir escadas, caminhar em terreno irregular ou levantar de uma cadeira baixa.
Por isso, a reabilitação precisa se aproximar das demandas reais. Metas funcionais podem incluir:
- caminhar dentro e fora de casa com segurança;
- usar escadas com controle;
- entrar e sair do carro;
- calçar sapatos e vestir-se;
- carregar objetos;
- retomar trabalho, lazer e atividade física;
- reduzir a necessidade de ajuda em tarefas que a pessoa fazia sozinha.
Uma revisão sistemática sobre exercício após artroplastia total de quadril encontrou benefícios para equilíbrio e marcha. Na artroplastia total de joelho eletiva e unilateral por osteoartrose primária, outra revisão mostrou que diferentes programas de reabilitação podem produzir melhorias semelhantes em dor, amplitude de movimento e atividades diárias. Nessa revisão sobre joelho, todos os achados foram classificados como evidência de baixa força. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov) (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
Reabilitação em casa ou supervisionada?
Algumas pessoas evoluem bem com um programa domiciliar claramente explicado e acompanhamento conforme a necessidade. Outras precisam de supervisão mais próxima quando existem dificuldades nas atividades diárias, limitações funcionais persistentes ou quando o programa realizado em casa não está permitindo atingir os objetivos de recuperação.
O NICE recomenda que quem realiza reabilitação autodirigida tenha metas claras, compreenda os exercícios prescritos e saiba quem procurar em caso de dúvida. A diretriz também orienta oferecer reabilitação ambulatorial supervisionada quando permanecem necessidades funcionais ou quando o programa em casa não atende aos objetivos. (nice.org.uk)
Mesmo quando existe treino domiciliar, o plano precisa ser revisto se surgirem dificuldades, dúvidas ou falta de progressão. O que fazia sentido no início pode precisar ser modificado conforme a recuperação avança.
Quais sinais exigem contato com a equipe?
As restrições e orientações específicas da equipe cirúrgica prevalecem sobre recomendações gerais como as deste texto.
Procure a equipe rapidamente diante de:
- febre, calafrios ou mal-estar;
- vermelhidão crescente ou secreção na ferida;
- dor ou inchaço que pioram de forma importante e contínua;
- dor ou inchaço em uma das pernas.
Falta de ar súbita exige avaliação urgente. Se houver dificuldade intensa para respirar, dor no peito ou na parte superior das costas, procure atendimento de emergência, mesmo sem dor ou inchaço na perna. Esses sintomas podem estar relacionados a uma embolia pulmonar ou a outra condição grave. (NHS — embolia pulmonar)
Não use este conteúdo para decidir sozinho quando retirar pontos, abandonar muletas, dirigir ou voltar ao esporte. Essas decisões dependem do procedimento e da avaliação da equipe.
Como preparar a recuperação?
Quando possível, a preparação começa antes da cirurgia. Conhecer os exercícios iniciais, entender como utilizar os apoios e se preparar para as tarefas das primeiras semanas pode facilitar a transição para casa.
Para pessoas que passarão por prótese de joelho ou quadril, o NICE recomenda orientação pré-operatória sobre exercícios antes e depois da cirurgia, hábitos de vida e estratégias para preservar o máximo possível de independência funcional. (nice.org.uk)
Em casa, retirar obstáculos, melhorar a iluminação e deixar objetos de uso frequente ao alcance pode tornar a rotina mais segura. Cadeiras firmes e calçados adequados também podem facilitar as atividades. Alimentação, tabagismo e medicamentos devem seguir as orientações da equipe responsável.
Perguntas frequentes
Quando posso caminhar sem muletas?
Depende do tipo de cirurgia, da liberação de carga, da força e da qualidade da marcha. O apoio deve ser reduzido quando houver condições para caminhar com segurança, de acordo com a orientação da equipe, e não apenas porque determinado número de dias passou.
Quanto tempo dura a fisioterapia?
Varia conforme o procedimento, a evolução e as metas. Algumas pessoas recuperam tarefas básicas mais cedo, mas precisam de mais tempo para recuperar força, equilíbrio e atividades mais exigentes.
É normal sentir insegurança para apoiar a perna?
Pode acontecer, principalmente nas primeiras fases. Treino progressivo, orientação sobre o uso do apoio e prática segura dos movimentos ajudam a recuperar confiança para caminhar.
Posso fazer os mesmos exercícios de outra pessoa?
Não é recomendável. Mesmo cirurgias com nomes semelhantes podem envolver técnicas, restrições e evoluções diferentes.
Continuidade entre recuperar e fortalecer
Na EPrime, a recuperação pós-operatória é acompanhada de forma individual. O plano considera a orientação médica, o estágio da recuperação, as limitações temporárias, a dor e a evolução do movimento.
À medida que a pessoa recupera mobilidade e função, o trabalho pode avançar para o fortalecimento muscular adaptado e para atividades mais próximas das demandas do cotidiano.
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Fontes clínicas
- NICE — Joint replacement (primary): hip, knee and shoulder, diretriz NG157. (nice.org.uk)
- NICE — Inpatient hip and knee postoperative rehabilitation, revisão de evidências da diretriz NG157. (nice.org.uk)
- American Physical Therapy Association — diretriz clínica para reabilitação após artroplastia total de joelho, revisão de 2026. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
- Park SJ, Kim BG — revisão sistemática e meta-análise sobre exercício, equilíbrio e marcha após artroplastia total de quadril. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
- Konnyu KJ et al. — revisão sistemática sobre reabilitação após artroplastia total de joelho. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
- NHS — orientações sobre complicações após prótese de quadril e joelho e sinais de embolia pulmonar. (quadril) (joelho) (embolia pulmonar)
